A síntese desta obra coincide com a definição de Gnose, que é o conhecimento puramente intelectivo, portanto suprarracional, cujas expressões através da história constituem a Philosophia Perennis e que, verdadeira “ciência sacra”, é o único a permitir o acesso pleno à realidade espiritual subjacente de todos os símbolos da verdade, quer se trate de religiões ou de doutrinas sapienciais.
A Gnose é a perspectiva ou a linguagem do Si divino, do Intelecto universal, cuja luz permite todos os discernimentos e todas as sínteses conformes à natureza das coisas. E o Cristianismo, cujo aspecto sapiencial foi por muito tempo negligenciado, não é senão, em sua estrutura metafísica, essa perspectiva ou linguagem.
Duas citações tiradas deste livro:
“Uma das principais razões da incompreensão mútua que se ergue, qual uma separação estanque, entre as religiões, parece-nos ser o fato de que o sentimento de absoluto se situa em cada caso num plano diferente, de sorte que os pontos de comparação são o mais das vezes ilusórios.” (capítulo “O Sentimento do Absoluto nas Religiões”)
“Ver Deus em toda parte” … “como” as coisas simbolizam Deus ou os “aspectos divinos”? Não se pode dizer que Deus é esta árvore, nem que esta árvore é Deus, mas pode-se dizer que a árvore, sob certo aspecto, não é “outra coisa que não Deus”, ou que, não sendo inexistente, ela não pode não ser Deus de nenhuma maneira. Pois a árvore tem a existência, depois a vida, que a distingue dos minerais, depois suas qualidades particulares, que a distinguem de outras plantas, e enfim seu simbolismo; todas formas, para a árvore, não apenas de não “ser o nada”, mas também de afirmar Deus sob este ou aquele aspecto: a vida, a criação, a majestade, a imutabilidade axial ou a generosidade. (capítulo “Ver Deus em Toda Parte”)

