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Swami Ramdas

[NB.: A Editora Stella Maris está preparando para 2026 a publicação de Em Busca de Deus, de Swami Ramdas.]

Swami Ramdas nasceu em 1884 em Hosdrug, Kerala, Índia, e foi batizado Vittal Rao por seus pais, Sri Balakrishna Rao e Smt. Lalita Bai, um devoto casal. Ele viveu uma vida comum de chefe de família em sua comunidade e arredores até os trinta e seis anos de idade. Durante esse tempo, passou por várias provações e tribulações do ponto de vista mundano, as quais o levaram por fim a questionar profundamente o verdadeiro significado da vida. Uma intensa transformação espiritual ocorreu nele e, de repente, ele foi tomado por uma onda avassaladora de desapego. Nesse processo, percebeu a futilidade das buscas mundanas e a necessidade de paz e felicidade reais e duradouras. Inspirado pelas Escrituras e pelos ensinamentos de diversos santos, ele se convenceu de que somente Deus pode dar paz e felicidade eternas. O caminho da devoção pura e da entrega total brilhou para ele com um apelo irresistível. Todos os apegos à família, aos amigos e aos negócios desapareceram, assim como um fruto maduro cai da árvore. Ele estava interiormente pronto para se entregar total e incondicionalmente a Deus.

Naquele momento crítico, seu pai, percebendo o declínio do interesse do filho pelas atividades seculares e o aumento de seu amor e devoção a Deus, iniciou-o no mantra Râm e assegurou-lhe que, repetindo-o incansavelmente, ele encontraria, no devido tempo, a verdadeira paz e felicidade que tanto ansiava. À medida que o mantra tomava conta dele, ele descobriu que sua vida estava repleta de Râm. Foi então que ele renunciou à vida samsárica e partiu em busca de Deus como um sadu mendicante. Esse primeiro ano de sua nova vida é descrito por ele em sua autobiografia, In Quest of God (Em Busca de Deus).

Foi assim que, em uma manhã de dezembro de 1922, ele deixou sua casa de trem. Ele não sabia para onde estava indo, nem isso lhe causava ansiedade. Ele só sabia que estava obedecendo ao comando divino de seu amado Râm e, portanto, tinha certeza de que Ele o guiaria sem erros. O mantra “OM Shrî Râm Jai Râm Jai Jai Râm” estava sempre em seus lábios e em seu coração. Além de cantar o Nome divino, sua prática era olhar para tudo no mundo como formas de Râm – Deus – e aceitar tudo o que acontecia como sendo pela vontade de Râm apenas.

Por fim, ele foi encaminhado para Srirangam. Lá, ele se banhou no rio sagrado Cauvery e, após oferecer suas velhas roupas brancas ao rio sagrado, vestiu as vestes ocres de um sanyâsi e passou por um renascimento espiritual. Foi nessa época, instigado pelo próprio Râm, que Vittal Rao assumiu o novo nome de Ramdas (servo de Râm) e fez os votos invioláveis de sannyasa, renúncia. Ramdas nunca mais se referiu a si mesmo na primeira pessoa.

Com o nome de Deus constantemente em seus lábios, ele continuou suas viagens na companhia de sadus itinerantes. A jornada o levou a Tiruvannamalai, onde ele se encontrou com Bhagavan Sri Râmana Maharshi e pediu sua graça.

Sri Râmana acabara de sair das cavernas onde passara vinte e dois anos na montanha sagrada Arunachala e se instalara em seu novo ashram na base da montanha. Naquela época, o ashram não passava de um galpão ou cabana com telhado de palha e, quando Ramdas entrou no ashram e viu o santo pela primeira vez, prostrou-se a seus pés. Ramdas soube que o jovem swami sabia inglês, então dirigiu-se a ele da seguinte forma: “Maharaj, aqui está diante de ti um humilde servo. Tem piedade dele. Sua única oração a ti é que lhe dês tua bênção.”

Sobre essa experiência, Ramdas disse: “O Maharshi, voltando seus belos olhos para Ramdas e olhando intensamente por alguns minutos em seus olhos, como se estivesse derramando suas bênçãos sobre Ramdas através daqueles olhos, acenou com a cabeça para dizer que o havia abençoado. Uma emoção de alegria inexprimível percorreu o corpo de Ramdas, que tremia como uma folha ao vento”.

Nesse estado de êxtase, ele deixou a presença do Maharshi e foi passar quase um mês em uma caverna nas encostas de Arunachala, cantando o Ramnam constantemente. Essa foi a primeira vez que ele se isolou e, durante esse período de solidão, ele nunca tomou banho, fez a barba ou cortou o cabelo. Quando comia, comia muito pouco. Após vinte e um dias, quando saiu da caverna, ele viu uma luz estranha e onipresente: tudo era Râm e somente Râm.

Após sua experiência nas cavernas de Arunachala, Ramdas continuou suas viagens por quase oito anos, viagens que o levaram a muitas partes da Índia várias vezes, incluindo as grutas de Elefanta, a cidade-templo de Madura, no sul, os santuários sagrados do Himalaia, a cidade de Bombaim, bem como Mangalore, onde passou três meses nas cavernas Panch-Pandava, em Kadri. Foi aqui que ele teve sua primeira experiência de nirvikalpa samadhi.

Ele continuou suas viagens por toda a Índia nos anos seguintes, finalmente estabelecendo-se em um pequeno ashram construído por um de seus devotos em Kasaragod, Kerala. Por fim, a vontade de Deus o levou a deixar Kasaragod e se estabelecer em Kanhangad, onde o atual Anandashram foi fundado no ano de 1931. Este ashram tornou-se um campo para colocar em prática o amor universal que ele conquistou como resultado de sua visão universal.

Como Ramdas alcançou a realização através do canto ininterrupto do Nome divino Râm, juntamente com a contemplação dos atributos de Deus, ele sempre exaltou a virtude do nama-japa em Sadhana. Com base em sua experiência pessoal, Ramdas assegurou a todos os buscadores que o nama-japa os levaria às alturas supremas da realização da unidade com o Todo-Poderoso.

Ramdas alcançou o mahasamadhi em 1963.

[Texto disponível na internet em inglês. Não conseguimos identificar o autor.]