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William Stoddart

William Stoddart (1925–2023) foi um importante representante da Filosofia Perene. Ele nasceu em Carstairs, na Escócia, em 1925, estudou línguas na Universidade de Glasgow (francês, alemão e espanhol) e se formou em medicina pela mesma universidade.

Stoddart passou a sua carreira profissional em Londres, trabalhando principalmente em pesquisas médicas, até 1982. Após a sua aposentadoria, mudou-se para a América do Norte a fim de viver perto de seu guia intelectual e espiritual, Frithjof Schuon, que se mudara da Suíça para os Estados Unidos em 1980.

Criado como protestante, o jovem Stoddart descobrira a espiritualidade oriental através do seu pai, que viajava frequentemente para a Índia. Ele também aprendera sobre o Hinduísmo e o Islamismo durante os seus anos escolares. Tendo intuído, desde tenra idade, a validade de todas as religiões, ele comentou: «Nunca me passou pela cabeça que essas religiões pudessem ser falsas. Eu sabia instintivamente que elas eram verdadeiras, mas não tinha ideia, na época, do quanto a doutrina da unidade transcendente das religiões significaria para mim mais tarde na vida. Devo acrescentar que essa intuição da validade das religiões não cristãs não enfraqueceu de forma alguma o meu apego ao Cristianismo.”

Aos vinte anos, Stoddart descobriu os escritos do grande historiador de arte Ananda Coomaraswamy (1877–1947). O encontro com essas obras levou a sua vida numa direção completamente diferente. Foi através de Coomaraswamy que ele conheceu o trabalho do metafísico francês René Guénon (1886–1951). Para compreender a plenitude da vida e da visão de Stoddart, é preciso começar pelos expoentes seminais do que ficou conhecido como escola perenialista (ou tradicionalista); especificamente, Guénon, Coomaraswamy, Frithjof Schuon (1907–1998) e Titus Burckhardt (1908–1984). Embora reconhecesse que havia muitos outros defensores da philosophia perennis, o próprio Stoddart afirmava que esses eram os mais significativos. Ele constantemente lembrava aos buscadores sérios que era necessário «ler e reler os escritos de Frithjof Schuon em particular. Era assim que se poderia reconhecer a verdade supraformal no cerne de todas as religiões».

O profundo interesse de Stoddart por todas as principais religiões levou-o a viajar extensivamente pelo mundo. Na Europa, ele procurou acessar a plenitude da tradição cristã — no Catolicismo (França, Espanha, Itália, Irlanda e Polônia); na Ortodoxia (Grécia, Rússia e Sérvia); e no Protestantismo (Alemanha, Holanda e Escandinávia). Ele também viajou para outros lugares a fim de mergulhar no Islã (Marrocos, Turquia e Bósnia), na tradição hindu na Índia (onde teve darshan do 68º Jagadguru de Kanchi) e nos mundos budistas do Sri Lanka e do Japão.

Stoddart foi um autor e editor. Foi editor assistente da Studies in Comparative Religion, uma revista britânica dedicada à publicação de escritos sobre filosofia perene. Foi membro do conselho nos primeiros dias da Matheson Trust, que promove o estudo filosófico, metafísico, cosmológico e estético de todas as tradições. Um dos dons de Stoddart era a sua capacidade de destilar informações complexas e volumosas numa linguagem muito direta e sucinta, razão pela qual era considerado um mestre da síntese.

Embora fosse excepcionalmente dotado na sua exposição das religiões e das suas dimensões internas, ele também conseguiu torná-las acessíveis às pessoas comuns. Ele sempre lembrava aos buscadores para não complicarem ou pensarem demais nas questões secundárias, pois era preciso apenas focar no essencial. Na verdade, a sua motivação para simplificar as coisas era exclusivamente com vistas à «única coisa necessária» (Lucas 10:42).

Os principais escritos de Stoddart foram:

Sufismo: As Doutrinas e Métodos Místicos do Islã
O Hinduísmo
O Budismo ao seu Alcance
Lembrando-se num mundo de esquecimento
Cristãos e Muçulmanos: o que eles dizem uns dos outros?
O que o Islã significa no mundo de hoje?

A contribuição de Stoddart não se limitou apenas às suas próprias realizações literárias; ele também traduziu para o inglês várias obras tradicionalistas do francês e alemão originais: Esoterismo como Princípio e como Caminho (1981) e Sufismo: Véu e Quintessência (1981); mais de 3000 poemas de Schuon e muitos volumes notáveis de Burckhardt, tais como: Alquimia: Ciência do Cosmos, Ciência da Alma (1967); Espelho do Intelecto: Ensaios sobre Ciência Tradicional e Arte Sagrada (1987); e O Essencial de Titus Burckhardt (2005).

(texto de Samuel Bendeck-Sotillos editado para este website)

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