A Editora Stella Maris publicou no final de 2025 um dos primeiros livros de Frithjof Schuon, Gnose, Sabedoria Divina. O livro se divide em três seções: Controvérsias, Gnose e Cristianismo, num total de doze ensaios. Com sua inteligência profunda e brilhante, o sábio da Filosofia Perene vem nos ensinar neles o que é o homem, o que são as religiões, o que é a Gnose e como se dá o caminho da realização espiritual; refuta o erro do conceito de “mística natural” e fala do verdadeiro amor a Deus, bem como do que significa “ver Deus em toda parte”. Por fim, ele nos explica de forma tão sintética quanto bela o que é o Cristianismo, falando do Rosário, dando uma interpretação da Ave Maria e, por fim, desvelando o sentido da Cruz, num maravilhoso ensaio que começa assim:
Se a Encarnação tem o sentido de uma “descida” de Deus, Cristo equivale também a toda a Criação, ele de certa forma a contém: ele é uma segunda criação que purifica e “resgata” a primeira. Ele assume, com a cruz, o mal da Existência; para poder assumir esse mal, era necessário que Deus se tornasse a Existência. A cruz está em toda parte porque a criação é necessariamente separada de Deus; a Existência se afirma e se expande pelo gozo, mas este torna-se pecado na medida em que Deus não é seu objeto, ainda que todo gozo contenha uma desculpa metafísica pelo fato de que ele visa a Deus por sua própria natureza existencial; todo pecado se parte ao pé da cruz. Mas o homem não é feito unicamente de desejo cego; ele recebeu a inteligência a fim de conhecer a Deus; ele deve ter consciência do fim divino de todas as coisas, e ao mesmo tempo ele deve “tomar sua cruz” e “oferecer a outra face”, ou seja, superar mesmo a lógica interna da prisão existencial; sua lógica, que é “loucura” aos olhos do mundo, deve superar o plano dessa prisão, ela deve ser “vertical” ou celeste, e não “horizontal” ou terrestre.
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