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Charles Eastman (Ohyesa)

Charles Eastman nasceu em 1858 em Minnesota, Estados Unidos. Foi o quinto filho do índio dakota Wakanhdi Ota e de Wakantaka Win, uma mestiça nascida de uma dakota e de um americano (o conhecido militar e artista Seth Eastman, que deixou a esposa e a filha pouco após o nascimento desta). Wakantaka Win morreu após o parto, fato que fez com que o bebê recebesse o nome de Hakadah, “Mísero Último”.

Aos quatro anos de idade, Hakadah foi separado do pai e dos irmãos, dados por mortos durante a guerra de 1862 entre os Dakota e o governo americano. Sua avó materna levou-o consigo para o Canadá, e ele foi criado por ela, crescendo ali na liberdade e na natureza conforme o modo de vida ancestral dos Sioux. De acordo com os costumes tradicionais, ele mais tarde recebeu um novo nome: Ohiyesa, “Sempre Vencedor”.

O pai de Ohiyesa, contudo, não tinha morrido, e quando o rapaz tinha quinze anos de idade, ressurgiu em sua vida. Por influência dele, o jovem adotou a religião cristã e o nome Charles Alexander Eastman, e empenhou-se em adquirir uma educação e aprender os modos de vida dos brancos. Foi um dos três primeiros índios a receber um diploma de medicina nos Estados Unidos e, por sua inteligência, presença marcante e habilidades de orador, começou a ser requisitado em conferências, adquirindo certo renome.

Após formado, trabalhando como médico do governo na Reserva de Pine Ridge, Eastman conheceu Elaine Goodale, uma jovem professora com dotes literários e certa fama como poetisa e escritora, que abraçara a causa dos Sioux. O casamento deles, que aconteceu poucos meses depois, em 1891, recebeu grande publicidade — talvez não só pela raridade de uniões inter-raciais e pela relativa fama de ambos, mas também por ser um símbolo das mudanças sociais dos Estados Unidos na época. Foi uma união essencial para a posterior carreira de Eastman como escritor e conferencista. Elaine foi quem o encorajou a escrever seus primeiros relatos sobre a vida dos índios, e conseguiu que eles fossem publicados por uma revista. Além de, como muitas esposas de escritores famosos, datilografar, revisar e preparar para publicação os textos do marido, ela foi também co-autora de dois dos livros dele. As dificuldades financeiras, a perda de uma filha e as constantes ausências de Eastman para ir a dezenas de conferências por ano provavelmente desgastaram a relação; depois de trinta anos de casados eles passaram a viver vidas separadas, apesar de nunca terem se divorciado. Depois disso, ele não voltou a escrever.

Eastman publicou onze livros, a maior parte sobre as tradições e o modo de vida tradicional dos Sioux, e deu centenas de conferências sobre esses temas; ele também atuou nos meios políticos como representante e defensor de seu povo, e trabalhou com o governo dos Estados Unidos para melhorar suas condições de vida. Além disso, foi muito ativo em organizações para jovens, como os Escoteiros; e, com sua esposa e filhos, teve durante vários anos um acampamento de verão para rapazes e moças.

Depois da separação, Eastman foi viver perto de seu filho, passando os invernos com ele em Detroit e os verões numa cabana que construíra às margens do Lago Huron. Ele morreu em 1939, aos oitenta anos.

Livros de Charles Eastman (Ohyesa)