O título deste livro se refere, em seu sentido mais geral, ao mesmo tempo a seu tema metafísico e a sua dialética. Ele exprime fundamentalmente a multiplicidade dos aspectos de Mâyâ, a Relatividade universal, enquanto eles mascaram – ao mesmo tempo para velá-lo e para revelá-lo – o Sujeito único e supremo, o Eu divino, Atmâ. Dialeticamente falando, este título sugere a variedade das vias nas quais Schuon propõe aproximar-se da Realidade suprema e de suas correlações espirituais. A diversidade das abordagens é motivada por um desejo de clareza e de integralidade.
Neste obra, talvez mais ainda que em outras, Schuon trata da condição humana ao mesmo tempo na “projeção cosmogônica”, como manifestação de Atmâ através de Mâyâ, e em relação com as portas espiritualmente libertadoras – verdade, oração e beleza – que dão à existência humana sua significação e suas prerrogativas. A transcendência é a objetividade são as prerrogativas fundamentais do homem nos níveis da inteligência, da vontade e do amor.
A objetividade é compreendida por Schuon como sendo a conformidade integral à natureza das coisas graças à qual o homem atinge sua “possibilidade celeste”. Essa possibilidade está em certo sentido já compreendida no mistério da Manifestação que vê Atmâ tornar-se Mâyâ de tal forma que Mâyâ se torne Atmâ: a Onipossibilidade divina exige que ela seja conhecida “do exterior”, a saber, por um ser que é “ilusoriamente” diferente de Deus, ao mesmo tempo em que participa diretamente do Intelecto divino. A faculdade de inteligência é o próprio centro do homem e pode ser identificada como tal com o “homem interior”, por oposição ao “homem exterior”, que vive na periferia do ser. Neste sentido, “o homem exterior” é a “máscara” do “homem interior”.
Só o Sábio está plenamente consciente da relação entre essas duas dimensões, porque ele se identifica perfeitamente ao “homem interior”, o que lhe permite objetivar sua “máscara” humana.O homem deve ser uma testemunha do Ser necessário no mundo da contingência, e ele o é em primeiro lugar lembrando-se do Absoluto – na oração – graças à “passagem libertadora” da Presença divina, e em segundo lugar “remetendo” os conteúdos positivos de Mâyâ – a beleza interior e exterior – a suas raízes em Deus. Quando o homem é infiel a esta vocação, ele permanece “exteriorizado” e “horizontal”. Esses dois vícios caracterizam e manifestam a Queda, ou o Pecado Original, ao qual Schuon consagra um capítulo dos mais esclarecedores.
Tratando do clima espiritual e moral necessário ao retorno do homem a Deus em dois capítulos sobre a “intenção” e sobre a “caridade”, Schuon dissipa uma série de ideias preconcebidas modernas que, reduzindo-as a categorias psicológicas ou políticas, eliminam ou viciam a significação espiritual da veracidade e da compaixão.
O objeto deste livro é,mais uma vez, fornecer aos buscadores espirituais de nossa época chaves fundamentais que possam ajudá-los a redescobrir sua verdadeira natureza: a tomada de consciência da Realidade com toda sua inteligência, sua vontade e sua alma.

