Do prefácio de Patrick Laude:
“Um dedo aponta para a lua; tanto pior para aquele que só olha o dedo.” Este antigo adágio nos convida, no estilo do Zen, a ir além do sinal das aparências e a dirigir nosso olhar para o Essencial. É de um tal olhar que nasceram estas percepções penetrantes da vida e da alma de uma civilização.
O autor, Hari Prasad Shastri, foi um brâmane letrado, profundamente impregnado da herança espiritual da Índia. Sua carreira universitária o conduziu durante alguns anos ao Japão, e foi dessa estadia que ele extraiu a substância deste livro de impressões e lembranças. As cenas e quadros que formam estes “Ecos” situam-se assim no encontro de uma inteligência contemplativa hindu com o ambiente do Japão de sempre. Sentimos logo de entrada que estes relatos são mais do que anedotas, e que eles nos apresentam, com discrição e cortesia, um ensinamento profundo. Estes ecos, com efeito, entregam-nos ressonâncias interiores; as impressões produzidas pelo universo japonês ainda profundamente tradicional do início do século passado “ressoam” na alma do autor, por vezes suscitando ali uma espécie de reminiscência espiritual que a abre à essência divina dos seres e das coisas. O perfume da companhia da jovem Kimiko ou os dias passados às margens do Lago Shuzenji deixaram marcas indeléveis na alma do visitante indiano; seguindo esses rastros, ele nos conduz ao caminho da contemplação e da virtude. Da história comovente de Choumei, o samurai que se retirou do mundo após a morte de sua bem-amada, ao simples sorriso da pequena Akiko, tudo é motivo para interiorizar as mensagens da beleza, da inocência, do sacrifício ou da bondade. Nada há aqui de grandiloquente ou de demonstrativo, são apenas pinceladas sugestivas, mas que muitas vezes dizem mais do que longos discursos.

