Ecos do Japão (1916–1918)

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Sinopse

Do prefácio de Patrick Laude:

“Um dedo aponta para a lua; tanto pior para aquele que só olha o dedo.” Este antigo adágio nos convida, no estilo do Zen, a ir além do sinal das aparências e a dirigir nosso olhar para o Essencial. É de um tal olhar que nasceram estas percepções penetrantes da vida e da alma de uma civilização.

O autor, Hari Prasad Shastri, foi um brâmane letrado, profundamente impregnado da herança espiritual da Índia. Sua carreira universitária o conduziu durante alguns anos ao Japão, e foi dessa estadia que ele extraiu a substância deste livro de impressões e lembranças. As cenas e quadros que formam estes “Ecos” situam-se assim no encontro de uma inteligência contemplativa hindu com o ambiente do Japão de sempre. Sentimos logo de entrada que estes relatos são mais do que anedotas, e que eles nos apresentam, com discrição e cortesia, um ensinamento profundo. Estes ecos, com efeito, entregam-nos ressonâncias interiores; as impressões produzidas pelo universo japonês ainda profundamente tradicional do início do século passado “ressoam” na alma do autor, por vezes suscitando ali uma espécie de reminiscência espiritual que a abre à essência divina dos seres e das coisas. O perfume da companhia da jovem Kimiko ou os dias passados às margens do Lago Shuzenji deixaram marcas indeléveis na alma do visitante indiano; seguindo esses rastros, ele nos conduz ao caminho da contemplação e da virtude. Da história comovente de Choumei, o samurai que se retirou do mundo após a morte de sua bem-amada, ao simples sorriso da pequena Akiko, tudo é motivo para interiorizar as mensagens da beleza, da inocência, do sacrifício ou da bondade. Nada há aqui de grandiloquente ou de demonstrativo, são apenas pinceladas sugestivas, mas que muitas vezes dizem mais do que longos discursos.

Detalhes do livro

Ecos do Japão (1916–1918)
de Hari Prasad Shastri
ISBN-13: 978-65-84253-04-9
Número de páginas: 132
Dimensões: 14 cm x 21 cm
Data da publicação: 21 de julho de 2026
Tradução de B. Becker

Disponível para leitura

Do primeiro capítulo:

Era um lindo dia. As flores de cerejeira balançavam nos ramos acima da relva verde, na encosta de uma colina com vista para um lago tranquilo. Crianças de todas as idades, vestidas com quimonos multicores, brincavam ao redor das árvores, algumas perseguindo as borboletas, outras colhendo as margaridas e os botões-de-ouro amarelos, sem ter em vista nenhum propósito. Lao Tsé diz que a intenção destroi o espírito de um ato e rouba-lhe a espontaneidade. O amor, quando sem objetivo nem propósito, exalta a alma, mas, quando casado a um plano, torna-se uma transação, algo sem alma. Há porventura alguma beleza ou repouso para a alma em aprender contabilidade? Aprender uma língua apenas pelo amor de sua beleza e poesia é muito diferente de aprender química aplicada para inventar um novo pó de arroz.

O amor é uma adoração da beleza; um exercício do princípio espiritual em nossa alma que dá à mente uma entrada para o palácio da Verdade.

Hoje as escolas e escritórios de Yokohama estão de folga para permitir às pessoas ir olhar as flores de cerejeira. Os japoneses chamam a isso O Hanami.

Tábua de matérias

Prefácio de Patrick Laude
O Hanami: olhar as flores
Alumia a lâmpada no templo no monte
Uma visita a um mosteiro budista
Um caso de amor em cinco minutos
O sacerdote Ito San
A senhorita Manzoku
A ave
A cerimônia do chá no Japão
Flores de ameixeira
O lago sagrado
Um samurai torna-se monge
A canção dos insetos
Uma gueixa
O amor continua vivo
Em silêncio
Pan Jo ou iluminação taoísta
Em Quioto
Uma história taoísta
Minha Akiko
A ipomeia
Sobre o autor