Ouvimos muitas vezes dizer que é preciso “ver Deus em toda parte” ou “em todas as
coisas”; isto não parece difícil de conceber para os homens que creem em Deus, e contudo
há aí muitos graus, indo desde a mera fantasia até a intuição intelectual. Como pode-se
tentar “ver Deus”, que é invisível e infinito, nas coisas visíveis e finitas, sem risco de se
iludir ou de cair no erro, ou sem dar a isto de que se trata um sentido tão vago que as
palavras perdem assim todo significado? É o que nos propomos a esclarecer aqui, ainda que
isto nos obrigue a voltar a certos pontos dos quais já tratamos noutras ocasiões.
Primeiramente, é preciso considerar nas coisas que nos circundam — e também em nossa
própria alma enquanto ela é um objeto de nossa inteligência — esse algo que poderíamos
chamar de “milagre da existência”. A existência, com efeito, tem algo de milagre: é por ela
que as coisas se desprendem, por assim dizer, do nada; a distância entre elas e o nada é
infinita e, considerado por esse ângulo, o menor grão de poeira tem algo de absoluto,
portanto de “divino”. Dizer que é preciso ver Deus em toda parte significa antes de tudo que
é preciso vê-lo na existência dos seres e das coisas, incluindo a nossa. (…)
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